Enquanto os dias passam, muita mudança pode ocorrer….Eu estaria…conformado?
Hoje seria mais um dia igual, desse ‘começo’ de férias (já faz mais de 15 dias), mas o cooper ajudou a me elevar….percorri 17.5km, ao longo da cidade de Cachoeira Paulista, em 1 hora e 25 minutos
Mas, dependendo do tênis, essas corridas podem fazer muito mal….tenho receios demais de ter dores no joelho e o impacto danificar os tendões… pedalar sempre foi melhor para mim…mas não dá tanta energia e endorfinas…
Verifico que as férias são importantes…. depois de tantos anos trabalhando e com correrias de me formar, e fazer cursos profissionalizantes, hoje ‘volto à mim mesmo’ e me vejo com 17 anos…Realmente bem jovem…querendo rock, curtir as tardes de forma mais ousada, e fantasiar (sem drogas por favor né! hehe), como se o tempo não mais terminasse, e a vida fosse eterna…
Aqui, queria contar a história que me fez gostar de pedalar e chegar a um nível tão alto (e sinistro, até) para mim e o grande Bruno Bernardo, meu amigo e colega do Rio.
Tudo começou em 1987, na nostálgica Rua Fausto Cabral, Papicú, Fortaleza-CE, onde eu morava e tinha 6 anos de idade… havia ganho uma Monark e pedalava 1 km… achava looooooonge…. hehe, e não era bike de rodinhas.
Em 1989, com uma bike maior, dava voltas no quarteirão…cheguei a fazer 6km por dia. Jogava bafo (aquelas figurinhas) e videogame com amigos em casas próximas. Tinha vezes que ia até o fim da Avenida Alberto Sá, subida uma ladeira, e descia…
Em 1991, ganhei uma magrela usada… era uma Caloi 10, um pouco surrada, e meu irmão usava muito pouco (só assim para me dar hehe). Mas foi roubada, quando eu pedalei 10km, no asfalto, pelos ‘fundos’ do bairro papicú… tinha cortiços e um ambiente de receios…nao consegui voltar a tempo. Felizmente só o roubo ocorreu. Mas chorei e gritei, até mesmo com fúria…ninguem gosta de perder nada….
Em 1994, morava perto da Beira-mar. Eu tinha uma outra bike, de ferro. Pedalava 20km pela Beira-mar, e começava a participar dos chamados NIGHT BIKES….a inscrição era R$4 (no tempo em que o plano Real começou) e era de 20 as 23 horas. As vezes passava da meia noite….Sempre envolvia distâncias entre 20 e 30km, e tinha muita gente bonita, proteção policial, vendedores de sucos de laranja, e até ambulâncias. Estava ‘bombando’ a era das musicas DANCE. Até aquelas músicas ‘dadari, darara, dadari…’
Eu saía da beira-mar, muitas vezes sozinho, com meros 14 anos, e ia até o ponto de encontro. Uma vez ia sendo assaltado perto do Iguatemi, mas felizmente um carro de polícia passava… eu usava walkman e ouvia musicas FREESTYLE o tempo todo
como BIZARRE INC. Eram noites incríveis. Fazia determinados amigos, mas ficava muito sozinho, pois eu era muito na minha… isso desde os tempos de colégio…
Fui a umas 11 night bikes…. algumas ainda tinham atrações adicionais de patins, em Fortaleza. Mas eu ía para casa. Até hoje lembro de uma, onde voltava do Forte de Nossa Senhora, com poucos integrantes, e ouvindo ALL THAT SHE WANTS.
Entre as night bikes, pedalava perto de casa, e até ia ao colégio. Colocava corrente, e ia à aula. Mas também ia à pe´. Uma vez fui assaltado e me roubaram um relógio preto, desses grandes, que tinham 3 ‘círculos’ de minutos, segundos, centésimos… nem era caro mas provavelmente essa ‘carencia’ policial da Fortaleza que crescia a cada dia, me fazia pedalar mais rápido, e atento!
Em 1995, depois da minha primeira decepção amorosa (onde nem rolou beijo, rs), coisas de adolescente mesmo, e de ir em uma loja da CALOI, dias antes para comprar um velocímetro da CATEYE, 6 funções apenas, resolvi pedalar na beira-mar a tarde inteira. Dei 6 voltas. Como cada ida e volta dá 6km, completei 36km em 2 horas
Média 18km/h. Era uma forma de me valorizar, ante às épocas em que parece tudo dar errado. Falava para todos os meus amigos e colegas desses passeios distantes. Mas muitos ainda zoavam ou me caçoavam
. Nao acreditavam…
Cheguei a comprar outro velocímetro, pois o primeiro quebrou. E depois, um terceiro velocímetro, de ponteiros, daqueles de mobiletes… até quebrar o ponteiro nos 60km/h na descida da Barão de Studart.
Passava a pedalar em todos os lugares de Fortaleza, desde a Praia do Futuro, passando por toda a avenida Dioguinho, até a Petrobrás, passando no bairro Serviluz e Meireles. Cheguei a ir às aulas de inglês britânico de bicicleta, que eram nas casas de cultura da UFC. Eu acabava ficando um pouco misterioso para meus colegas, que, bastante sociais nas aulas e cursos, faziam atividades bem mais interessantes…
Em um dia triste de 1996, em tempos de provas difíceis no colégio, eu peguei a bike, que tinha luzes nos pneus e um arranjo de pilhas que fiz em casa, e dei 10 voltas na beira-mar. 5 voltas entre 9 e 11 horas da manhã, e 5 voltas entre 15 e 17 horas. 60km marcados, média beirando os 20km/h! Esse dia marcou a minha estada em Fortaleza durante muitos anos…
Em 1998, meu irmão trouxe uma bike, a Caloi Aluminum (que até hoje, em 2008, possuo). Mas preferia caminhar ou fazer cooper, principalmente depois de setembro, quando engordei bastante. Agora era a hora de manter a saúde em alta
Sempre!
A bike nao tinha velocímetro. Eu pedalava pouco, só para emergencias, até que comprei mais um velocímetro e voltei a me estimular com distâncias e médias.
Eu tinha um hábito de beber pouca água. Havia comprado uma garrafinha apenas, e mal a bebia. Com o tempo, fui comprando adicionais, e levava no quadro da bike. Era dificil tirar várias garrafinhas, era tudo junto hehe. Eu não costumava parar para beber água de coco ou sucos…eu queria sempre ter tudo à mão. E nunca tirava fotos ou fazia vídeos… mas não saía sem o velocímetro. A única coisa que me estimulava eram os quilometros rodados
Nesse tempo, também pedalava 10km ‘sem ciclos’, só de ida… até a Oliveira Paiva e a Universidade de Fortaleza, pois tinha amigos lá e eu gostava de jogar doom2, duke3d e quake na casa deles… eles ouviam muito rock e metal, e eu curtia demais, eu saía bem mais nessa época, mas nao deixei minha prioridade em estudar, e aprender inglês.
Não mais tive riscos de ser assaltado (Fortaleza sempre teve esse problema… são pessoas ‘à espera nas ruas’, em qualquer lugar, querendo fazer o mal)….
Essa é a Engenheiro Santana Junior…mudou 600% depois da Adminstraçao de Luizianne… poxa… eu gostava quando era uma avenida reta, de buracos e quente….hehe (pela NOSTALGIA, e não pq é melhor)
Assim, parei de pedalar um pouco… a bike azul até começou a enferrujar. Mudei-me para o Rio de Janeiro no fim de 2003, e a bike, uma outra que tinha comprado em 1997 mas usada pouco, estava com pneus secos e com teias de aranha!
(Hoje a bike preta é de meu irmão (sim ainda anda! hehe, mas nas ruas cariocas, so para passear) A caloi aluminum, tinha sido levada pelo meu irmão para o Rio em 2001, a qual acabou voltando para mim)

Os anos iniciais do Rio foram como se tivesse nascido novamente. Nada era a mesma coisa. Cinemas do bairro Cinelândia, caminhadas no aterro….Subia o Pão de Açúcar a pé, e me aventurava correndo até 24km, pela orla carioca inteira. Fazia meia maratonas para manter o peso. Não podia ficar muito tempo parado, ou engordava e até ficava desanimado com os dias. Eram os tempos em que o ‘RIO mp3 chegava’ (mera coincidencia de nome), mas era caro no começo (mais de R$700). Acabei esperando um pouco e comprando o IRIVER de 128mb por R$600. Enfim, abandonava os walkmans. Era a época de crescimento profissional, onde até virava noites para estudar.
Em 2005, comecei a pedalar com um grande grupo que conheci ao acaso, quando procurava uma comunidade no orkut de bicicletas. Antes, pedalava sozinho até copacabana. Depois, passei a pedalar 25km com eles, dando também a volta na Lagoa Rodrigo de Freitas. Muita gente interessante e que nunca me esqueço (Marcus, Simone, Márcia, Eliel, Marcinho, Marcelo, William, Diego, e outros). Depois, o grupo começou a fomentar passeios maiores (40km), como na Mesa do Imperador, Vista Chinesa e Cristo Redentor. Até quando tive a idéia de ‘achar um novo caminho para as Índias’, isto é, à Barra da Tijuca.
Nessa época, comprei uma camera AIPTEK, que chegou a durar 3 anos de intensos filmes que fazia sozinho ou com a turma. Acabaria virando o cinegrafista do pessoal, temporariamente. E , com a atenção já ganha dos assaltos em Fortaleza, aperfeiçoava o uso da câmera em uma só mão, com velocidade.
Para chegar à Barra, Tentamos pelo Tunel Zuzu Angel mas era perigoso por causa do trânsito. As garotas que pedalavam não gostavam nada disso. Acabou ficando para os caras… Todo domingo, tentávamos ir por um caminho diferente. Em um deles, quase batemos de frente com a favela da rocinha. No terceiro domingo, eu e mais 4 subimos Paineiras, e, descendo pela floresta da Tijuca, chegávamos à Barra, em Abril de 2005, pela primeira vez em mais de 7 anos, batendo o recorde pessoal de passeio de bike: 62km, envolvendo uma ida de 30km e uma volta de 32km (e não fazendo circuitos fechados, como na Beira-mar, nostálgica mas que agora ficava a 2980km…)
Houve viagens maiores, como em Niteroi, mas acabava ficando mais isolado ainda. pois o povo achava dificil, exagerado, estressante e/ou anti-social pedalar distancias muito longas e desgastantes… Eles estavam certos. Realmente era para poucos. A galera curtia um passeio social, por que essa ânsia de distâncias? Mas era legal poder chegar em praias diferentes, e sentir-se em outra cidade, até
Em agosto de 2005, depois de ir a Camboinhas (65km) conheci Bruno Bernardo, e já conhecia Diego Cuinas, da faculdade de computação, e passeávamos na Lagoa e arredores. Começamos a subir a Rua Alice até o Cristo Redentor. Geralmente, eu e Bruno. Em uma terceira ida às Paineiras, perto do Cristo, veio àquela vontade de conhecer Petrópolis…só a ida daria 70km….. será que conseguiria bater o recorde? Eu perguntava a Bruno, inclusive era dia do aniver dele…
Em suma, SIM! E não só a ida, mas a volta também!! Eu havia ganhado de meu pai um uniforme de ciclista, que só usei 3 vezes ao ‘brincar’ de pedalar 10 a 15km no Rio, mas neste dia, resolvi experimentar
Era da TREK, e meu pai usou apenas uma vez, para ‘treinar’ até copacabana, onde mal fazia 15km e voltava exausto.
No dia 11 de setembro de 2005, depois de ligar para alguns membros do ciclistas do Rio, 3 foram à viagem. Todos se reuniram na famosa ‘pirâmide’, monumento a Estácio de Sá, no Aterro, às 6. Mas Fernando, o louro, desistiu antes de Xerém, e Adilson, PH e Bruno, foram até Petropolis. Na volta, ficaram Eu, Bruno e Adilson, pois PH sofreu uma queda na descida da serra (santo capacete!) Fiz 155km!! Depois desse dia um pouco sinistro (devido as Torres Gemeas), vieram treinos e mais viagens!
Eu também havia comprado uma Caloi Fitness em 2006, onde, também até hoje (2008) está comigo. A bike foi adquirida com muito suor do trabalho de estagiário… Estava na área de desenvolvimento de sistemas. O que? Um acadêmico pedalando longas distâncias na doida por aí? A princípio era mais ou menos isso! Mas fazer o que?
Se ninguém começar, ninguém começará por você…
Foi necesário outro mp3player de 1gb, e as viagens foram aumentando…Petrópolis, Teresópolis, Cabo Frio, Nova Friburgo, Barra do Piraí, Grumari e Santa Cruz, Angra dos Reis, a Volta das Serras (Itaipava), Nova Friburgo 2…. puxa vida! Era viciante! E eu ficava marcando nas homepages que criava, e chamava de ‘megarides!’. E, enquanto isso, tome concurso, tome provas de vestibular, e até mesmo um mestrado (haja tempo e cabeça!)
A décima sétima viagem, no dia 16 de agosto de 2008, e a décima oitava viagem, no dia 13 de setembro do mesmo ano (quase o dia sinistro de novo!!) foram dias em que fiz mais de 430km em menos de 24 horas (434km e 450km respectivamente).
Havia, pela primeira vez, depois de 5 anos no Rio, conhecido São Paulo, mas de bike! Só que havia saído de uma cidade do interior, quase na fronteira Rio-SP…..contudo, como foi ida e volta, ultrapassou a distancia de Rio-São Paulo, nas estradas brasileiras!
E o caso ficou sério a ponto de bater o recorde do Rank Brasil:
E acabei sem querer, virando notícia, com o Bruno:http://www.rankbrasil.com.br/Site/Materia.aspx/?JB_Online:_Jovens_tentam_bater_recorde_de_500_Km_em_viagens_de_bicicleta+124&Grupo=2 e na revista do lance A+ de outubro:
Meu Deus…Até onde havia chegado? E como? Que energias são essas?
E agora? E o futuro? o.O Nem mesmo os megariders sabem! O site www.megariders.net se tornou a união de viagens longas de mim, do Bruno, do Diego e outras pessoas que, assim como nós, tiveram sucessos no pedal , mesmo sozinhos, e um dia, sonharam em pedalar distâncias absurdas, mesmo se, no começo, nunca pensaria que, seja por esporte, brincadeira ou para descontrair numa tarde, e ainda desacreditado por muitos, iria chegar a tanto…
Mas continuo, mesmo assim, pedalando socialmente mas… não nestas semanas… estou em clima de … decisões… Continuar a pedalar distancias longas? Fazer outras atividades e aposentar o pedal? Mudar de país para poder avançar ainda mais? o.O
E engraçado que, comigo, tudo começou na Avenida Beira-mar, onde eu pedalava ouvindo naquele walkman pesado… para esquecer uma determinada garota que não dava bola, ou até aquelas horas em que não nos damos bem com nossos pais… Interessante
Mas sinto falta….realmente, o passado parece mais mágico que o presente…Os tempos mudam, vamos envelhecendo…precisamos trabalhar cada vez mais, a cada dia… o tempo parece correr mais rápido… Então, vamos pedalar!
Vou indo, abraços pessoal






